Publicado em casa nova

uma filha única na república

Sou muito bastante fã pra caramba mesmo desse livro da Elisa Lucinda – “Parem de falar mal da rotina” – e especialmente do poema que deu nome ao livro e à peça (que não cheguei a assistir). Sobre essa mania chata de algumas gentes que insinuam que os dias se repetem, diz a moça:

Parece, mas não repete
Não pode repetir
É impossível!
O ser é outro
o dia é outro
a hora é outra
e ninguém é tão exato.

E, olha, eu concordo plenamente com ela. Acho que isso é ´papo de quem não ama o que faz. É claro, conheço de perto uma certa vestibulanda e sei o quão insuportável deve ser passar por uma prova escrota de um sistema mais escroto ainda pelo terceiro ano seguido em nome de um sonho, mas isso são outros quinhentos. Me refiro às pessoas que tiveram suas chances de escolher com o que queriam estudar e/ou trabalhar, e fazem dessa escolha uma razão pra reclamar da vida. Oras, escolhesse outra coisa que te alegrasse os dias, cara pálida! Ou então, escolhe outra coisa agora, já que ta ruim e a gente ta bem vivo. 🙂

Eu gosto sim e muito da rotina, e essa nova rotina na república tem sido particularmente deliciosa, embora vez ou outra eu passe por maus bocados. Não era pra menos: fui criada a pão de ló a vida inteira! Ontem mesmo o prato em que calmamente fiz meu jantarzinho versão tentando-ser-saudável foi requisitado pela dona, e eu não sabia onde enfiar a cara. Há dias venho usando aquele prato e os talheres achando que eles pertenciam à casa (assim me disseram, ok), e parei completamente de me apressar pra comprar esse tipo de coisa. Também preciso comprar coisas pra lavar minhas roupas antes que a sacola das sujas ocupem mais espaço que as limpas no armário.

A tentativa de levar uma vida mais saudável não foi eventual daquele jantar: fui à feira nos últimos dois domingos (e ainda não consegui meus caixotes 😦 ) e voltei com beterraba, morango, cenoura, couve flor – coisa impensável há poucos meses atrás. Eu já sabia que a cozinha ia me render histórias interessantes e, além desse episódio deliciosamente vergonhoso de passar a semana usando o prato alheio, é claro, não pude me furtar de botar a couve flor para cozinhar no vapor… do espírito santo. Esqueci de botar água na panela e quase tostei a bicha. Sorte que a moça da república sentiu cheiro de queimado e me perguntou: “Você botou água na panela, Luísa?”, ao que eu calmamente disse: “Não”, seguido de me dar conta e um “puta que pariu”. O resgate foi bem sucedido e o queimado ficou ótimo com queijo por cima. 😀

Ontem e hoje não encontrei o banheiro livre, como tinha sido nos últimos dias. Definitivamente, o semestre começou. Pra todo mundo. Mas isso (ainda) não chegou a me incomodar. Claro: meu humor de manhã me deixa mais egocentrada que o normal, e certa indignação me permeia involuntariamente quando não posso usar o banheiro quando bem entender, mas é uma questão de minutos de espera (ou de um tiquinho de vontade de descer a escada pra ir ao outro banheiro).

Não tenho parado muuuuuuuuito tempo em casa, mas isso já era de se esperar. Por enquanto é só. Não vejo a hora dos próximos dias-capítulos. ❤



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Autor:

Carioca, 22 invernos, leão com touro. Gosto de apreciar e busco produzir arte. Sou professora. Faço cadernos. Amo. Assim, intransitivo, mesmo.

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