Publicado em Querido diário

mea-culpas

Uma mensagem lida e não respondida causa um tumulto em mim. Talvez por um histórico de brigas que se iniciaram daí, mas provavelmente também por uma insegurança leonina insuportável.

O mais irônico é que as pessoas não sabem do fardo que o leonino é pra si mesmo (e quanta vaidade há na necessidade de escrever sobre isso… – e quanta insegurança na vaidade em si!). Tal energia que eu percebo emanar de mim para as pessoas ao meu redor, e atraí-las em minha direção – coisa que percebo em outros diversos leoninos e que não há de ser completamente casual -, na verdade, tem sua nascente no profundo medo que nós, leoninos, temos de não sermos amados, queridos, admirados. Me é insuportável a ideia de reprovação, seja a que minha autocrítica martela em mim a cada segundo, ou a que os outros podem fazer sobre meu comportamento ou ideias. Não, não sei lidar com erros. Uma mensagem não respondida gera em mim uma carência e uma insegurança latentes, o que, possivelmente, foi o estopim de diversas brigas. Perante uma mensagem não respondida me vejo em uma bifurcação de reações: ou fico com raiva e ataco – “quem ela pensa que é pra não me responder? Eu hein, não fiz nada e a garota já ta chateada comigo de novo!” –  ou me retraio e me julgo – “poxa, que será que eu fiz de errado? Será possível que não consigo deixar de ser essa louca carente e ansiosa um só segundo?”. Enfim, de todo modo, raramente me ocorrem as opções “ela deve estar na aula”, “esqueceu o celular em casa”, “acabou a bateria”.

Ultimamente tenho tentado ser mais gentil comigo, sobretudo depois do surto de duas semanas atrás, mas ainda não consegui encontrar um equilíbrio. É claro: tomar café e dormir bem valem mais a pena do que fazer tudo às pressas em nome da cama feita e da pontualidade extrema. Mas não dar tudo de mim – como por exemplo, planejar HOJE a aula de hoje – acarreta em ter que lidar com a culpa de fazer algo que considero superficial quando me sei capaz de bem mais profundidade.

Quando não realizo meus anseios, me acomete inveja e veneno, e em seguida mais culpa, porque sei que isso não só me leva a lugar nenhum como tem sua raiz em frustração, o que só gera máculas na alma. O problema é que meus anseios são muitos, e eu tenho pra mim que tudo bem serem muitos se eu souber lidar com o fato de não realizar todos ao mesmo tempo, mas nessa história de sempre abrir mão de alguma coisa eu, ao contrário, acabo me martirizando ao invés de me orgulhar por tudo o que já alcancei.

Como se a felicidade fosse essa linha do horizonte que a gente nunca alcança, e eu estivesse sempre e incansavelmente tentando alcança-la, mesmo sabendo que é impossível, ao invés de só curtir a paisagem bonita do caminho que eu mesma escolhi traçar.

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Autor:

Carioca, 22 invernos, leão com touro. Gosto de apreciar e busco produzir arte. Sou professora. Faço cadernos. Amo. Assim, intransitivo, mesmo.

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