sankofa

Semana passada eu fiquei putinha com a FOFA da Eliete, professora de dança afro, porque eu não tava entendendo um passo e ao invés de tentar de novo que nem todo mundo (porque meu perfeccionismo se revolta em ver tudo cagado), eu fiquei repetindo pra mim mesma que não tinha coordenação motora pra expressar aquele movimento com meu corpo.

Essa semana, na aula seguinte, aconteceu algo parecido. Mas, coincidentemente ou não, pouco antes ela havia passado um exercício que me fez lembrar de impro, de Boal, do meu amor por sala de aula. Talvez por isso, quando um não -entendi me irritou a ponto de me tirar da sala, me dirigi ao banheiro e, olhando-me a minha maior sabotadora no fundo dos olhos, disse-me/lhe um bom “u betta dance, bitch!” e dancei até pingar por todos os medos que tenho de errar. Cheia de possíveis erros imperceptíveis à minha concentração nova e inquebrantável (no tempo de vida daqueles instantes, porque tudo o que vale na existência há de ser efêmero).

Fiquei pensando que quero enfrentar meus medos, um a um, olhando no olho. E destroça-los, carinhosa e lentamente, como uma lua nova e negra, anciã, que com a sabedoria de todo um universo destrói aquilo que deve ser destruído, e faz doer o que há de ser destruído pela dor.

Fiquei pensando de novo no trabalho lindo de empoderamento que essa mulher faz, que consegue tocar o mais branco centímetro do meu corpo branco, e chegar na alma, revirar os medos, cutucar feridas (pero hay que entregarse). Não sei que poder é esse, mas sei que é o que cantarola por trás dos meus olhos cheins d’água, com aquela voz de água dizendo yeah yeah Oxum.

Senti revontades de estudar dança e artes cênicas, pra combinar coma  vontade matutina de retomar minha peça. Pela Luísa-indivíduo-de-um-planeta-em-evolução, pela Luísa-porta-dores-existenciais e pela Luísa-professora. Quanta arte se pode fazer em aula de qualquer coisa! “Tem hora que a gente se pergunta como é que não se junta tudo numa coisa só”.

Sankofa pode significar tanto a palavra na língua Akan do povo Akan que se traduz ao português como “volte e pegue” (san – voltar, retornar; ko – ir; fa – olhar, buscar e pegar) ou os símbolos Adinkras Axantis de um pássaro com sua cabeça virada para trás pegando um ovo de suas costas quanto um formato de coração estilizado. É frequentemente associado ao provérbio: “Se wo were fi na wosankofa a yenkyi,” que traduzido ficaria “Não é errado voltar atrás pelo o que esqueceste”. (Wikipédia)

sankofa

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