ensaio sobre o caos

A tentativa de me enquadrar no que não sou sempre culminou em mim hospitalizada ou, no mínimo, em tratamento terapêutico. A atual greve na universidade me sacudiu de uma forma que foi impossível continuar vivendo meu cotidiano tão programável, tão “anotável” na agenda. Tive que assistir o imprevisível me puxar o tapete e o acaso esfregar na minha cara que meus planos milimetricamente arquitetados não são garantia de nada. Que nada é garantia de nada. Não tive outra saída a não ser mergulhar em mim e perceber a bagunça que eu sou.

Quando frequentava o grupo de iniciação científica de análise do discurso, o fazia por instinto, voluntariamente, e apesar de não ter nem de longe o que se chama de tempo sobrando. Mas foram justamente Deleuze e Guatarri e toda a minha dificuldade em decifrá-los que me fizeram continuar frequentando o grupo, que me fizeram tentar deixar de lado minha obsessão perfeccionista e me render ao caos, à subjetividade, à mim mesma, enfim.

Tentar intercalar teatro, música e dança com a graduação em Letras sempre foi caótico. Por várias vezes foi frustrante. Sempre foi difícil. Várias vezes me disseram que era impossível, que era loucura – e muitas vezes foi, mesmo. Mas é uma loucura impossível totalmente necessária à minha sanidade.

É preciso me acostumar com o caos depois de anos e anos habituada a tentar ser o que não sou. A tentar controlar tudo. É preciso porque, conforme tenho percebido, o caos é provavelmente a única força que rege todas as coisas.

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