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Por muito tempo eu pedi, implorei, desesperada, que Dionísio trouxesse de volta o teatro à minha vida. Vi uma possibilidade e fui, que nem bacante, desesperada, embriagada, decidida. Custasse o que custasse – e custou algumas muitas passagens de ônibus, crises de choro e de ansiedade. Custou muita redação corrigida às pressas, muita frustração por não conseguir nunca me dedicar a nada da maneira completa que eu gostaria – que deve ser esse o fardo de quem quer se dedicar a tudo. Custou meu ego, que tentei calar, e talvez essa tentativa tenha me gerado a última amigdalite.

Ele me trouxe o que pedi porque sou Yolanda, sou Ágave, sou quem não teve nome. Sou Dalva, também, então, e talvez seja outras personas por aí. Sou humana. Logo, insatisfeita. Mas me peguei pensando no que a Luísa de alguns anos atrás estaria pensando de mim agora. Acho que ela olharia minha rotina entre faculdade e ensaios, ainda por cima morando sozinha, e me acharia o máximo. Me acharia bonita, esforçada, inteligente. É engraçado que eu me olho com os olhos de hoje e não vejo nada disso, porque só consigo pensar em quem gostaria de ser depois de aqui. É meio triste porque às vezes sinto que escrevi minha história errado e agora não dá mais pra voltar atrás. É esquisito porque eu não caibo num personagem e aí me fica a sensação de que eu seria infeliz de qualquer forma. Não sei o que a Dalva pensaria disso tudo, não deu tempo. Não dei conta. Nem quero dar conta – eu quero VIVER! Yolanda enlouqueceu, Ágave também, talvez Dalva caia no mesmo martírio. Cada uma com seu motivo. Talvez minha loucura se dissipe ou encontre acalanto na delas. Pelo menos me fica a sensação de não estar sozinha. No fim das contas, ela me conforta, sim. Isso sem falar nos meus olhos de ontem.

A minha ingenuidade faz com que eu me martirize, me torture, me angustie, que nem criança que não sabe o óbvio. Não sabe que desde o começo isso era pra ser uma travessia. E sem saber, eu tinha plena consciência e escolhi ir fundo, assim mesmo. Que “se eu quiser falar com deus, tenho que lamber o chão dos palácios, dos castelos suntuosos do meu sonho”. Que o dia da estreia sempre dá um jeito de ser especial.

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Autor:

Carioca, 22 invernos, leão com touro. Gosto de apreciar e busco produzir arte. Sou professora. Faço cadernos. Amo. Assim, intransitivo, mesmo.

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