a semana foi corrida.
dor de estômago no domingo, somada a uma ardência nos olhos segunda. saindo do hospital – nada detectado nos exames -, diarreia. dor de barriga além de tudo o mais. fui ao estágio cada dia da semana pra honrar esse fim de contrato, como espero ter honrado toda a sua duração. o máximo que fui capaz de fazer foi desmarcar uma aula na terça feira, por absoluta falta de condições de me distanciar de algum banheiro. não voltei a ter diarreia e me culpei por ter desmarcado a aula.

quarta feira, começa a despontar uma dor de garganta. a dor de estômago está bem melhor. uma possível amigdalite. quinta e ardência e vermelhidão nos olhos só aumenta, só piora. lacrimejo a menor luz. a fotofobia é quase insuportável. o simples ato de andar na rua é de uma dificuldade imensa. mas me sinto bem, estou disposta. fazendo hora na rua, encontro um café convidativo. entro, sento. me delicio com uma fatia de bolo formigueiro – eu pagaria por aquilo tendo diarreia novamente aquela noite. sexta feira e, além de tudo nos olhos, me surge algo como um terçol. e a dor de garganta é implacável. mas eu não desmarco a gravação da música – não! já adiei de segunda pra hoje. foi o prazo que me dei pra ficar boa, curada, produtiva, de pé. além do mais, quero me livrar disso logo.

pausa. oco. tudo branco, gélido. nada, nada por escrito. tudo quieto. não: silenciosamente irriquieto. apavorante. (porque é que as pessoas tem medo do breu?? branco é ausência. não tem nada de completude.)

não era por prazer que eu aceitei o convite de cantar? não era por prazer que eu quis e quero fazer teatro, me manter criativa? quando é que isso tudo virou de ponta cabeça dentro de mim? quando foi que os valores se perderam.

passei a semana adiando as coisas que queria fazer, que é como talvez tenha passado a vida, nos últimos tempos (não saberia medi-los). diversos colegas de teatro choram a perda da uma jovem atriz amiga que eu não conheci, mas cuja morte é certamente uma piada precoce de mal gosto da vida. e eu só consigo pensar na fragilidade disso que todos nós chamamos de vida. nós, que perambulamos com nossas ideias, nossos conflitinhos existenciais, nossas pequenas vitórias egoicas que teimam em nos impedir de sermos qualquer coisa além de um personagem de si mesmo.

isso me faz pensar no doc da Janis que vi esses dias com a Cal. uma mulher incrível, de um talento único no mundo, travando uma injusta batalha contra a heroína (quem foi o imbecil que deu esse nome a essa droga, hein?).

why do we do that? why do i do that? por que eu me boicoto tanto? quantas vezes são necessárias ir ao hospital pra entender de vez essa coisa que eu já entendi mil vezes; pra aprender a buscar e aderir a uma paz de espírito real? quanto falta? HEIN? QUANTO FALTA? se há um deus que por favor me responda, que se manifeste. meu corpo padece. minha MENTE padece. e eu sigo, feito um burro de carga, ingenua e pateticamente “honrando meus compromissos”. pois que se foda a agenda, não? isso tudo deveria ser sobre liberdade. não sobre se acorrentar, jamais sobre se acorrentar. mas quem é que ensina? cadê a cartilha? onde se explica como acaba um parágrafo e começa outro? quem dita as regras?

agora sim, viu. breu. caos absoluto na minha mente. absolutamente nenhuma conclusão. uma calmaria irriquieta. ah, agora sim.

 

 

 

 

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