Toda vez que termino um relacionamento fico tentando comparar o que sinto ou o que estou vivendo com coisas que vivi em términos anteriores. O curioso é que, possivelmente, por serem fases de tanta reflexão, eu acabo escrevendo pouco ou nada, e fico sem mais referencial que minha deturpada memória afetiva.

Quero registrar, portanto, como me sinto agora que eu e Claudia terminamos, possivelmente de forma derradeira: me sinto viva, me sinto disposta, embora um tanto entediada, às vezes, com outros aspectos da vida. Parece que todas as coisas estão ruindo ou por um fio ao mesmo tempo: o black tie, meu relacionamento, minha estadia na república, questões financeiras, esse vai-não-vai da Uerj…

É claro que eventualmente fico triste, e admito que nem eu sei bem o que quero. É tudo muito oscilante e indefinido, e o fato de ser assim pra ela também torna ainda mais confuso pra mim, já que não tenho a simplicidade dolorosa de ter que aceitar que minha ex já se engajou em outro relacionamento, como aconteceu nos meus dois namoros anteriores a esse, e tudo o que eu pude fazer foi me resignar, solitária e em silêncio.

Diferentemente de como lembro de ter me sentido quando terminei com a Laisa, não to triste por não ter um amor comigo. Me sinto só, mas a falta que sinto é da Cal. Talvez de uma Cal idealizada, mas ainda assim, não é ânsia por uma idealização, e só.

Pelo contrário – acho que, desde que terminamos, tenho percebido que talvez estivesse disposta a voltar (não agora, mas talvez daqui a um tempo), consciente das coisas , tentando me impor mais no que é fundamental pra mim – já vi que esse é um desafio meu de por vida.

Não é tampouco uma necessidade de estar com ela. Gosto de quem sou sozinha, e isso é ótimo. Gosto de estar me abrindo mais com as minhas amigas da faculdade, de prosseguir nessa minha eterna busca por mim mesma, por estar tentando, de fato, seguir em frente, como seguiria com ou sem ela.

Tive medo de entrar em depressão, como entrei após os outros dois términos – embora não associe a depressão ao término com a Laisa, diretamente, e sim ao símbolo de “check” na vida que aquele namoro representava pra mim – mas não acho mais que isso vá acontecer. Acredito que eu continue sendo inconstante como sempre fui, em busca de mim como sempre estive.

Hoje, tirando alguns livros meus do quarto da Cal, encontrei O Palhaço e O Pássaro Raro, dos livros que, me lembro bem, me acompanharam no outono do ano passado. Talvez eu esteja até melhor do que estive no outono do ano passado.

Enfim, tenho mesmo um afeto muito grande e certo apego a todos os meus planos com a Cal, a todas as coisas que já vivemos, e às vezes me cansa um pouco a ideia de começar tudo de novo. Certa birra – não quero outro amor, quero esse.

Talvez, na verdade, eu até queira outro. Um de outro jeito. Um sem os defeitos desse nem os defeitos dos anteriores. Só preciso cuidar pra não estar querendo uma idealização, me envolver em uma e acabar me frustrando, como já aconteceu.

 

 

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