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mais um dia-travessia depois da folga marítmo-poética de ontem. eu aqui me questionando se será tudo bem tomar o fitoterápico de passiflora junto do floral.

tu disse que sentia falta da minha companhia, da minha pessoa, da minha amizade. eu não sei se sinto de você. não é a tua personalidade que deixa esse buraco aqui. a carência que eu tenho na vida é sentir que me falta alguém pra me abrir e acolher incondicionalmente. nem precisava ser amor romântico. adoraria conseguir ser tua amiga e me aproveitar dessa incondicionalidade que a gente já tinha cativada. que louco o incondicional não ser eterno, né? digo, não que eu não vá estar aqui caso você eventualmente precise, não que eu não saiba que você está aí caso eu precise também. mas, como diz o verso que me acompanha desde sempre, “sempre não é todo dia”. é louco a eternidade do nosso incondicional já não ser mais cotidiana.

uma escritora de auto ajuda que talvez resida no meu subconsciente fica me dizendo que eu devo ser essa minha melhor amiga incondicional. mas que triste é contar apenas consigo, não? num mundo como o nosso, tão cheio de gentes e vazios.

é isso. sinto falta do teu incondicional. do teu colo, teu abraço. mais que o beijo, mais que a eletricidade que já tinha mesmo abandonado a gente há um bom tempo – admitamos. sinto falta, sim, da cúmplice que tive em você. e me doi pra caralho não tê-la mais por não ser possível ou por não saber separar as coisas.

tem dia que eu te odeio muito sem saber porque. hoje eu só queria te dizer que eu sinto muito. tem tanta peça legal pra ir e eu sei que você iria comigo sem titubear. arrumei um problema que eu não tinha – quem chamar pra essa peça? vou sozinha? será que aguento? pra quem falo do meu dia, desse peso, esse vazio que não ta aqui agora que você é uma ausência? – esse peso sempre esteve aqui. desde que não me entendo por criança ele é comigo.

às vezes eu te odeio por mágoas que ainda não superei de quando ainda éramos algo semelhante a uma só – terá sido esse o nosso erro? mas de que teria valido se envolver sem ser por inteiro? às vezes eu te odeio por me sentir preterida, sem nem saber se realmente há motivo pra me sentir assim. ficaram em mim carências de antes e de agora que você não supriu ou causou e, com requinte de crueldade, não está aqui pra me ajudar a cicatrizar. mas, ora, você diria, como é que você poderia estar aqui se eu mesma estou impedindo essa amizade, não é mesmo?

é complicado (como tudo o que diz respeito a mim). você é inteligente, quando a poeira da raiva baixar você vai entender. talvez guarde algumas mágoas – afinal, eu também errei, mesmo. mas não dá pra voltar atrás enquanto os dias ainda forem áridos, desérticos, ser-tão. não dá pra correr pro teu abraço enquanto eu não tiver certeza de que não vou querer mais nada do que isso, nem por carência. ou que vou, mas que tudo bem querer.

observo as pessoas se envolvendo com outras em tempos que pra mim são tão poucos, que não me são possíveis – eu não alcanço. e eu fico aqui, me revolvendo, me desenvolvendo, querendo me esgotar. e aí penso: por outro lado, como é que haveria eu de sonhar em me abrir a outra pessoa se nem me entendi minimamente? como eu pude um dia (tantos dias) me permitido mesclar a outras almas se eu nunca soube, na verdade, os limites territoriais da minha?

o instinto, o tarô, o orgulho – tudo! – tudo me diz pra te deixar ir. pra me desfazer do apego das lembranças boas, das expectativas e das mágoas todas. e eu tenho tentado, viu? tenho dado tudo de mim. porque eu sei que não quero. (sei? o que é que eu sei? eu não sei nem de mim, que dirá dos outros)

é estranho como quando minha avó morreu e até hoje eu sinto o cheiro dela. eu sei que vou continuar sentindo seu cheiro, embora você não tenha morrido. é que agora pensar em você é como enxergar uma tela toda preta. em algum momento esse negrume vai ser substituído por cenas em câmera lenta, meio desfocadas, que vão me fazer sorrir. mas ainda é cedo. ainda é preto. ainda pesa.

uma bagunça mental tão grande de vozes e imagens que eu não consigo discernir nada. como poderia permitir que você adentrasse esse caos? não posso, pequena. não poderia.

às vezes eu só desejo que você esteja bem e que deseje que eu esteja bem, também.

toda semana tem sido uma grande tpm.

 

 

 

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Autor:

Carioca, 22 invernos, leão com touro. Gosto de apreciar e busco produzir arte. Sou professora. Faço cadernos. Amo. Assim, intransitivo, mesmo.

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