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Sou grata ao meu corpo porque ele é anatomicamente perfeito e saudável. Não tenho restrições alimentares nem preciso passar meus dias numa cama de hospital. Posso perambular pelo mundo com minhas próprias pernas e enxergar as cores, sentir os cheiros e ouvir os sons do mundo. Meu corpo me avisa quando estou retendo emoções, ingerindo pouca fibra ou quando devo dar mais atenção a alguma parte dele. Meu corpo é flexível, forte e resistente. Meu corpo é minha ferramenta, meu meio de transporte no mundo para realizar as coisas que almejo. É minha forma de existir nesse mundo material, e é por onde eu sinto passar os fluxos de energia e arrepios. Sou grata ao meu corpo porque ele pode me propiciar prazer e porque ele me acompanhará até o fim dos meus dias, resistindo, apesar de todos os discursos de ódio que eu possa ter direcionado a ele. Apesar de todas as dores que eu achei que não fosse suportar, ele resistiu e me permitiu continuar vivendo. Eu sou grata ao meu corpo porque ele é lindo. Porque ele já me fez e continuará fazendo com que eu me sinta desejável. Sou grata ao meu corpo porque ele pode dançar. Mesmo andando eu imprimo no mundo formas inéditas de movimento, porque trago em cada passo todas as minhas vivências, que são únicas.

Eu amo o meu corpo porque ele pode gerar vida. Sou grata porque sou capaz de sangrar por dias sem morrer. Sou grata porque meu sangue e meus hormônios me ensinam muito sobre mim. Sou grata ao meu corpo porque posso abraçar pessoas. Posso chorar, posso rir, posso sentir o vento e o sol queimando na minha pele.

Meu corpo é minha forma primeira de existir e me manifestar no mundo. É a única coisa que realmente me pertence, meu único direito inalienável. Meu corpo só deixa de ser ele mesmo quando eu for junto. Nossas existências dependem uma da outra.

Sou grata ao meu corpo porque nunca esgotam as coisas que posso aprender sobre ele. Sempre tem uma novidade que acaba me explicando melhor pra mim mesma – um lugar que gosto de estar, como sinto mais prazer, como evitar uma dor, novas formas de me posicionar no mundo (fazendo parada de mão, por exemplo).

Sou grata ao meu corpo pela sua inteligência de crescer quando a infância acaba, e de parar de crescer depois. Por saber a hora exata de sangrar, tossir, dormir ou comer. Sou grata por poder me retirar do mundo, quando quero estar só, e ter a sua companhia incondicional e ininterrupta.

Sou grata ao meu corpo pela paciência que tem comigo enquanto eu aprendo a amá-lo. 🙂

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Autor:

Carioca, 22 invernos, leão com touro. Gosto de apreciar e busco produzir arte. Sou professora. Faço cadernos. Amo. Assim, intransitivo, mesmo.

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