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eu me sinto livre. caralho! eu me sinto livre!

em meio a greve, falta de grana, montes de coisas pra fazer, mais montes ainda de desejos de vida e obvia ansiedade em decorrência disso tudo, eu não consigo parar de pensar no quanto estou mais livre sem você me pressionando pra viver. como agora eu só vivo.

também não consigo evitar lembrar daquela quadrinha do quintana que me persegue a todo fim de ciclo – “e agora, que desfecho, já nem penso mais em ti. mas será que nunca deixo de lembrar que te esqueci?”.

eu só fico pensando poxa, custava ter entendido minha necessidade de espaço e tempo? custava ter se mantido firme nas tuas próprias decisões de necessidade de espaço e tempo? custava nos sentirmos vivas lado a lado?

mas eu sei. e nem preciso ir tão fundo pra saber. que

custava.

porque aí não era eu, aí não era você.

finalmente agora a gente pode ser. cada uma.

 

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não é admitir que acabou que é difícil. é decidir que acabou. amor não é coisa que acaba assim, feito a água de um copo. nem com tapa na cara amor acaba como o que evapora ou é sorvido.

a decisão sim, por ser uma morte, e que pode ser dolorosa. porque da morte ninguém volta o mesmo (se é que alguém volta).

mas uma morte é sempre abertura de espaço pra uma nova vida. o fim do mundo é sempre abertura para o nascimento de um novo. algumas mortes são necessárias, simplesmente. o sol brilha aqui dentro e eu já sou incandescente outra vez.

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carta a uma possível outra eu

se você tem medo de falar,
se você tem medo de sair,
se você tem medo de se abrir,
medo de dizer não,
medo de ficar só e se é isso o que te prende,
SOLTE-SE.

não há dúvidas: o amor não mora junto do medo.
se há medo ou tristezinhas daquelas de canto, difíceis de varrer, não é mais amor.
às vezes é só aquela poeira que a gente foi deixando ficar e ficou.

tudo bem se o próximo não vai ficar feliz sendo distante
o que não é tudo bem é você se saber infeliz e não se movimentar em direção ao óbvio.

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não sou eu, é você

eu fiz tudo o que poderia ter feito. sério, eu fiz mesmo. nada faz sentido.

a parte difícil é sentir expectativas e planos ruindo como aquelas ilhas do divertidamente quando se anuncia a adolescência da personagem.

meu corpo sentiu falta de você. meu espírito sentiu falta de você. e eu, apaixonadamente, continuava dando tudo o que sabia dar de mim pra tentar te fazer emergir. perceber-se viva.

ainda apaixonadamente, romanticamente, ironicamente, me pego indignada. eu tenho tanta certeza de ser dona da razão – como sempre, você diria – e por isso me resulta tão difícil aceitar um fim.

não faz sentido. só não faz. eu te amei pra além do que você mereceu, sinceramente. porque eu te amei pelo que você é, e não por quem vem sendo. e teria continuado me empenhando em te amar – que amor é teoria e prática -, mas não vou brigar por você quando nem você ta disposta a isso. sobretudo, não vou brigar por quem não está disposta ou não é capaz de brigar por mim. porque você poderia perfeitamente fazê-lo. choices.

talvez meu erro – digo, o que me vulnerabiliza – seja sempre estar tão entregue, me doar tanto, num mundo onde cada um só olha por si. em outros tempos eu me diria, tentando me enganar, que não agiria assim nunca mais. que ia me preocupar só comigo. mas não vou me dar ao trabalho: vou continuar me doando por aí, de cara pro vento, na chuva, sem me arrepender de nada do que deixei de fazer.

sigo um caminho diferente do teu nessa nova bifurcação que se nos apareceu certa de que relacionamento é conflito e de consciência translúcida de tão limpa que fiz absolutamente tudo o que esteve ao meu alcance pra estar no brilho do teu olhar. mas não estive. paciência, pra mim, e azar o seu.

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eu precisei de vc hoje. precisei real. precisei o fds todo. e fico pensando como vc teria agido se tivesse precisado assim de mim. penso que provavelmente não teria sabido me dizer isso, ou sabido lidar com a minha ausência. e a naturalidade do teu afastamento depois de dois dias absolutamente sem comunicação uma com a outra me fazem pensar que não-relacionamento é esse que estamos construindo.

isso faz parte do combinado? porque se é só pras coisas boas, prefiro que nem seja. que nem haja nós.

porra, me dá carinho, é tão difícil assim? tenho que me rastejar pra você perceber que faz falta? como eu poderia ser MAIS clara, mais explícita do que fui?

me sinto uma boneca que você até gosta muito de brincar, mas que teve que guardar na prateleira pra se divertir com outros brinquedos e depois assumir responsabilidades acadêmicas.

e eu entendo, de verdade. só acho uma puta injustiça que cobre o oposto de mim quando é isso que você me dá.

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tentei te apagar da memória

não consegui

porque tu não é o que se mostra
não é teu rosto
não é o que se deixa vazar pelas fotos
ou coisas de modo geral

tu se esconde no subliminar
no imprescindível
no que a razão não ousa aproximações
no – desculpe pela ironia – essencial

entendi que às vezes a gente tem que dar aquilo que quer
e talvez nisso consista o grande paradoxo do amor

não adianta, se quer maçãs,
que insista em plantar batatas

e eu nem sei se quero maçãs, assim, no plural
eu quero é você

o resto é silêncio

nem tudo é palavra, viu?

 

 

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ter expectativas frustradas
é sofrer
por algo que
na verdade
nunca foi seu

nem nunca existiu

é sofrer por algo que não é vento, mas que suas mãos jamais tocaram